sábado, 20 de agosto de 2011

Brasil encara desafio de fazer safra de milho deslanchar » Notícia » Portal do Agronegócio


No curto prazo, uma safra menor que a esperada nos Estados Unidos, que colhe mais de 300 milhões de toneladas, ou seis vezes mais do que o Brasil, pode abrir maiores possibilidades de exportação para o país, já que outros produtores não têm tanto excedente para atender a uma crescente demanda global advinda do maior consumo de carnes.

Mas uma maior produção nacional, além de permitir que o país possa atender a crescente demanda global por milho --a começar pela China, que voltou a importar desde o ano passado- seria garantia de suprimento para a indústria de carnes brasileira, que já lidera as exportações em bovinos e frangos.

"O Brasil tem condições de crescer no milho na mesma proporção que cresceu na soja", disse o ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli, ganhador do The World Food Prize, em 2006, pela sua participação no desenvolvimento da agricultura no Cerrado.

Segundo Paulinelli, atualmente presidente da Abramilho (associação dos produtores de milho), o Brasil que já é o terceiro exportador global do cereal teria a condição de produzir 200, 300 milhões de toneladas.

"O Brasil tem um potencial americano no milho", disse Paulinelli, acrescentando que para isso o milho precisaria de políticas públicas e mais investimentos do governo para que a Embrapa possa desenvolver mais pesquisas, o que ela deveria fazer em parceria com as multinacionais de biotecnologia, segundo o ex-ministro.

De acordo com ele, já há produtores brasileiros que colhem o mesmo volume por hectare dos produtores norte-americanos, entre 10 a 12 mil kg por hectare, mas muitos ainda então em um nível tecnológico inferior, o que termina por prejudicar a média nacional de produtividade, que está um pouco acima de 4 mil kg/ha.

"O Brasil ficou sem políticas públicas para o milho, não há nenhum plano para o Brasil aumentar a sua produção de milho," afirmou o ex-ministro, no intervalo de uma das palestras da bienal, realizada em Goiânia.

Ele acrescentou que os bilhões de reais gastos pelo governo nos últimos anos para apoiar o escoamento da produção excedente de milho para o exterior não integram uma política adequada, e poderiam ser mais bem gastos em logística.

"Até o ano passado, o governo não financiava o milho tecnificado em sua totalidade", exemplificou.

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